Olá a todos, entusiastas do sabor! Já alguma vez pararam para pensar o quão incrível é o nosso paladar? É muito mais do que apenas sentir se algo é bom ou não.

Na minha experiência, e depois de explorar este universo fascinante por tanto tempo, percebi que a verdadeira magia de comer reside em desvendar cada nuance, cada segredo que um alimento nos pode oferecer.
E acreditem, é uma jornada que qualquer um pode começar, independentemente de se considerar um “conhecedor” ou um completo iniciante. Vivemos numa era onde a alimentação consciente, ou “Mindful Eating”, está a ganhar um tremendo destaque, e não é por acaso.
Não se trata apenas de comer de forma saudável, mas de reconectarmo-nos com a comida, aguçando os nossos sentidos e entendendo a ciência por trás de cada garfada.
Já não basta saber o que é doce, salgado, azedo ou amargo; estamos a redescobrir o quinto sabor, o umami, e a perceber como o olfato, sim, o nosso nariz, desempenha um papel crucial na experiência gastronómica total.
É um mundo de descobertas que vai muito além do que imaginamos! Sei que para muitos, a ideia de “educar o paladar” pode parecer algo para chefs ou críticos de comida, mas garanto-vos que é para todos nós que queremos tornar cada refeição uma experiência mais rica e gratificante.
Afinal, quem não quer desfrutar mais da vida através dos sabores? Neste artigo, vamos mergulhar fundo nos fundamentos da educação do paladar para iniciantes, desmistificando conceitos e partilhando dicas práticas que vos vão transformar numa espécie de detetives do sabor.
Preparem-se para apurar os vossos sentidos e descobrir um novo mundo na vossa própria cozinha. Vamos juntos aprender a saborear a vida de uma forma completamente nova, com as últimas tendências e até algumas previsões para o futuro da nossa mesa.
Fiquem comigo e vamos descobrir tudo o que este universo tem para nos oferecer! Abaixo, vamos aprofundar tudo isto e muito mais, para que cada mordida seja uma celebração!
A Descoberta do Umami: Mais que um Quinto Sabor
O que é este Sabor Misterioso?
Já vos aconteceu comerem algo e sentirem aquele sabor indescritível, que não é bem doce, nem salgado, azedo ou amargo, mas que nos deixa uma sensação de satisfação e de “quero mais”? Pois bem, meus amigos, é muito provável que estivessem a sentir o umami, o tal “quinto sabor” que, na minha opinião, é um verdadeiro segredo para realçar qualquer refeição. Lembro-me da primeira vez que me falaram dele; parecia algo super complexo, mas na prática é tão simples e tão presente no nosso dia a dia! É aquela profundidade de sabor que nos faz salivar mais e que prolonga o prazer de comer. Pessoalmente, quando comecei a prestar atenção, foi como se um novo mundo se abrisse no meu paladar. É uma sensação agradável que permanece, quase como um eco saboroso na boca. Cientificamente, acontece devido à presença de aminoácidos como o glutamato e os nucleotídeos inosinato e guanilato nos alimentos, mas para nós, na cozinha, significa apenas mais sabor e uma experiência mais rica. E o mais interessante é que o umami não se sobrepõe aos outros sabores, ele realça-os, criando uma sinfonia perfeita no nosso paladar.
Encontrando o Umami nos Nossos Pratos Portugueses
Engana-se quem pensa que o umami é exclusivo da culinária asiática! Aqui em Portugal, temos um verdadeiro tesouro de alimentos ricos neste sabor. Pensem nos nossos queijos curados, como o queijo da Serra, ou mesmo num bom queijo parmesão ralado sobre a massa, a batata ou o aspargo. Aquele toque especial que sentimos é o umami a fazer das suas. E os cogumelos? Sejam frescos ou secos, são uma potência umami que adoro usar nos meus risotos e molhos. O tomate, especialmente quando bem maduro ou concentrado, é outro campeão. Já repararam como um bom molho de tomate caseiro tem um sabor tão reconfortante e profundo? É o glutamato a trabalhar! Até o nosso querido bacalhau, quando confecionado com mestria, pode ter notas umami que nos surpreendem. Em casa, costumo fazer caldos com vegetais e carnes que cozinham lentamente, e a riqueza que se desenvolve é puro umami. É um convite a olhar para os nossos ingredientes de sempre com um novo olhar, ou melhor, com um novo paladar!
Comer com Alma: A Arte do Mindful Eating no Dia a Dia
Desacelerar para Sentir Mais
Numa vida a correr, onde as refeições são muitas vezes engolidas à pressa em frente ao ecrã, o conceito de Mindful Eating, ou alimentação consciente, chegou para revolucionar a nossa relação com a comida. Na minha jornada, percebi que não se trata de uma dieta restritiva, mas sim de uma prática de atenção plena. É como reaprender a comer, tal como fazíamos quando éramos crianças, curiosos e sem julgamentos. Parece simples, mas requer um esforço consciente para desligar o “piloto automático”. Já experimentaram sentar-se à mesa sem distrações, a prestar atenção à cor do alimento, ao seu aroma, à textura? Eu confesso que no início foi um desafio, com a tentação de pegar no telemóvel a cada minuto. Mas persistir vale a pena. Mastigar devagar, sentir cada garfada, desde o momento em que entra na boca até ser engolida, faz toda a diferença. É um verdadeiro ato de amor-próprio e um convite a saborear a vida, não apenas a comida.
Benefícios que Vão Além do Prato
Os benefícios de praticar o Mindful Eating são vastos e vão muito além de apenas apreciar melhor a comida. Primeiro, ajuda-nos a reconhecer os sinais de fome e saciedade do nosso corpo, evitando excessos e aquela sensação desconfortável de enfartamento. Com o tempo, notei que comecei a fazer escolhas alimentares mais conscientes, não por obrigação, mas porque o meu corpo realmente pedia. Além disso, melhora a digestão, uma vez que comer devagar permite ao organismo ativar todos os mecanismos digestivos de forma mais eficiente. E, para mim, um dos maiores ganhos foi a redução do stress e daquela culpa que por vezes associamos a certos alimentos. Deixa de ser sobre o que “devo” ou “não devo” comer, e passa a ser sobre o que me nutre e me dá prazer. É um reset na forma como nos vemos e como nos relacionamos com algo tão fundamental como a alimentação. Sentir o momento presente na refeição é uma forma de nos reconectarmos com nós próprios, com o nosso corpo e com o prazer que a comida nos pode trazer de forma genuína.
Despertar os Sentidos: Estratégias Práticas para um Paladar Atento
O Treino Diário do “Detetive do Sabor”
Então, como é que podemos, no dia a dia, começar a treinar o nosso paladar e tornar-nos verdadeiros detetives do sabor? Acreditem, não precisamos de ser chefs estrelados para isso! Uma das primeiras coisas que me ajudou foi a técnica do “5S”, muito usada por profissionais, mas adaptada para o nosso uso doméstico. Antes de comer, olhem para o alimento: a cor, a forma, a apresentação. Depois, o cheiro, que é crucial para o sabor. Respirem fundo, tentem identificar os aromas. Ao provar, não tenham pressa. Sintam a textura na boca: é cremoso, estaladiço, macio? E o som? Sim, o som! Uma maçã crocante tem um sabor diferente de uma maçã farinhenta. Finalmente, o sabor em si – tentem descrever o que sentem, as diferentes notas. No meu caso, comecei por praticar com um simples pedaço de queijo ou com o meu café da manhã. Parece bobo no início, mas depois de um tempo, juro-vos que começamos a descobrir nuances que nunca antes tínhamos notado. É uma experiência super gratificante!
A Importância da Água e da Curiosidade
Para um paladar afinado, a água é a nossa melhor amiga, isso é um facto. Beber água entre as provas ou entre os diferentes alimentos ajuda a “limpar” as papilas gustativas, permitindo-nos apreciar melhor cada sabor individualmente. E, mais importante que tudo, é a curiosidade e a persistência. Muitas vezes, um alimento que não gostamos à primeira vista, pode tornar-se um favorito se o experimentarmos de diferentes formas ou em diferentes combinações. Sabiam que, segundo alguns estudos, precisamos de provar um alimento cerca de 10 a 15 vezes para o nosso paladar se habituar e até começar a gostar? Eu senti isso com certos vegetais que, antes, torcia o nariz. Mudar a forma de cozinhar, adicionar um tempero diferente, ou misturar com algo que já adoramos, pode ser o truque. O paladar é como um músculo, quanto mais o exercitamos e o expomos a diferentes estímulos, mais forte e sofisticado ele se torna. Não tenham medo de experimentar e de se surpreenderem com novos sabores, mesmo aqueles que achavam que não gostavam!
A Nossa Cozinha Portuguesa: Um Tesouro de Sabores para Explorar
Influências que Contaram a Nossa História
Quando penso na riqueza da nossa gastronomia portuguesa, sinto um orgulho enorme! É uma história contada em cada prato, em cada tempero, uma verdadeira herança cultural que nos define. As influências são tantas e tão diversas que é fascinante! Desde os tempos dos romanos, que nos trouxeram o trigo, o alho, as azeitonas e as uvas – a base da nossa dieta mediterrânica –, até aos mouros, que deixaram a sua marca no Algarve com as amendoeiras e nos ensinaram a usar o arroz, os figos e os citrinos. E, claro, a Era dos Descobrimentos, que abriu Portugal ao mundo e trouxe para as nossas cozinhas especiarias como a canela e o açafrão, e produtos como a batata e o tomate, que hoje consideramos tão nossos. É esta mistura de culturas, esta capacidade de absorver e adaptar, que tornou a nossa cozinha tão variada e saborosa. No norte, os sabores são mais intensos, com alho e louro; no sul, o coentro e o orégão dominam. É incrível como num país tão pequeno, a diversidade é tão grande!
Pratos que Falam à Alma Portuguesa
Não há nada como um prato tipicamente português para nos fazer sentir em casa, não é? Desde o simples pão alentejano, que é a base de tanta coisa boa, até ao imponente bacalhau, rei da nossa mesa. E quem nunca se deliciou com um arroz de marisco, fresquinho e cheio de sabor a Atlântico, com todos aqueles camarões, mexilhões e amêijoas? É um festival para o paladar! E a doçaria conventual? O pastel de nata, com aquela crosta estaladiça e o creme suave polvilhado com canela, é uma experiência quase transcendental. Cada região tem as suas estrelas, os seus segredos, e parte da diversão de educar o paladar é precisamente explorar tudo isto. Lembro-me de uma vez que fui ao Porto e experimentei uma francesinha – que explosão de sabores! É tão única e tão nossa. Para vos ajudar a navegar por este mar de delícias, preparei uma pequena tabela com alguns dos nossos tesouros gastronómicos e os seus sabores mais marcantes:
| Prato Típico | Região de Origem/Associação | Sabores e Texturas Dominantes |
|---|---|---|
| Bacalhau à Brás | Lisboa e Centro | Salgado, cremoso, com um toque suave de cebola e salsa. Conforto. |
| Arroz de Marisco | Litoral (especialmente Algarve/Centro) | Fresco, marinho, notas de tomate e coentros. Suculento. |
| Francesinha | Porto | Intenso, picante (molho), rico em carne e queijo. Robusto. |
| Pastel de Nata | Lisboa (Belém) | Doce, cremoso, com notas de canela e massa folhada crocante. Delicado. |
| Cozido à Portuguesa | Nacional (com variações regionais) | Rico, terroso, salgado, variedade de carnes e legumes. Confortante. |
De Olho no Futuro: As Tendências Gastronómicas que Vão Surpreender em 2025
O Regresso às Raízes e a Inovação Sustentável
O mundo da gastronomia está em constante evolução, e é fascinante ver o que se avizinha para os nossos pratos em 2025. Uma das tendências que mais me agrada é este regresso às nossas raízes, a uma valorização das tascas e restaurantes tradicionais. Parece que estamos a redescobrir o encanto do simples, do genuíno, mas com um toque de inovação de uma nova geração de restauradores. Gosto muito de ver esta preocupação com o “Uma só saúde” (One Health), onde a gastronomia se alinha com a saúde do planeta, das pessoas e dos animais. Isto significa menus mais conscientes, com mais transparência sobre a origem e a confeção dos ingredientes. É uma forma de comermos com mais responsabilidade e de apoiar produtores locais. Outra coisa que me deixa entusiasmada é a criatividade no combate ao desperdício – chefes a transformarem sobras em verdadeiras obras de arte, o que é brilhante para a sustentabilidade e para a carteira!

Sabores Globais com Toque Local
Para além do regresso às origens, prevejo que 2025 traga uma fusão ainda maior de sabores globais com um toque muito português. Por exemplo, tem-se falado muito no aumento do consumo de algas e de alimentos fermentados. Já as experimentei e posso dizer-vos que as algas trazem uma dimensão de sabor umami super interessante, e os fermentados, como o kimchi, dão um “boost” de sabor e de saúde aos nossos pratos. Outra tendência que me chamou a atenção é a popularidade crescente dos molhos picantes e das malaguetas, algo que, para quem gosta de um toque de fogo na comida, é uma excelente notícia! E os bolinhos de massa, os famosos dumplings, em todas as suas formas – chineses, polacos, mexicanos – prometem ser a próxima coqueluche. É uma oportunidade fantástica para o nosso paladar viajar sem sair de Portugal, ou para trazer um pouco do mundo para a nossa mesa, sempre com a nossa identidade e os nossos produtos de excelência.
Pequenos Prazeres Diários: Construindo um Paladar Refinado
A Persistência Compensa
Chegámos ao fim desta nossa conversa sobre o paladar, mas a jornada, meus caros, está apenas a começar. O mais importante é a atitude de abertura e a persistência. Não se sintam frustrados se não gostarem de um sabor à primeira. O paladar, como já vos disse, é um músculo que se treina. Aqueles que dizem “não gosto” de algo, muitas vezes só precisaram de uma forma diferente de o experimentar. Lembro-me de quando comecei a tentar apreciar café sem açúcar; foi um processo, mas hoje não o troco por nada! É uma questão de dar tempo, de experimentar com diferentes preparações e de não desistir. Às vezes, basta uma pitada de um tempero que adoramos, ou uma combinação inusitada, para mudarmos completamente a nossa percepção. Acreditem em mim, o vosso paladar tem uma capacidade incrível de adaptação e de descoberta, só precisa de um bocadinho da vossa atenção e paciência. E a recompensa é um mundo de prazeres gastronómicos que vos esperam!
Partilhar e Celebrar Cada Garfada
Para mim, o culminar de ter um paladar mais educado é a possibilidade de partilhar essa experiência. Não há nada melhor do que reunir a família ou os amigos à volta da mesa e conversar sobre os sabores que estamos a sentir, as texturas, os aromas. É nessas alturas que a comida se torna mais do que apenas alimento; é um momento de conexão, de alegria e de celebração. Podemos discutir os diferentes ingredientes do cozido à portuguesa, ou adivinhar as especiarias de um prato mais exótico. Esta partilha eleva toda a experiência e cria memórias inesquecíveis. Usem as dicas que vos dei, explorem os sabores da nossa terra e do mundo, e nunca se esqueçam que cada garfada pode ser uma pequena festa. A vida é demasiado curta para comermos sem prazer. Por isso, inspirem-se, divirtam-se na cozinha e celebrem cada refeição com todos os vossos sentidos. Até à próxima aventura gastronómica!
Para Concluir
Meus queridos leitores, chegamos ao final de mais uma partilha de sabores e descobertas. Espero que esta viagem pelo mundo do umami, do mindful eating e da nossa rica gastronomia portuguesa vos tenha inspirado a olhar para a vossa comida com outros olhos, ou melhor, com um paladar mais atento. Lembrem-se que cada refeição é uma oportunidade para explorar, para sentir e para celebrar. O prazer de comer é um dos grandes presentes da vida, e cultivá-lo é uma forma de nos cuidarmos e de vivermos mais plenamente. Continuem a vossa aventura gastronómica e deixem que cada garfada vos conte uma história.
Informações Úteis para o seu Paladar
1. Hidrate-se Constantemente: Beber água entre as provas de diferentes alimentos ou pratos é crucial para “limpar” o paladar e permitir que as suas papilas gustativas detetem os sabores de forma mais apurada. É um truque simples, mas super eficaz, que eu própria uso sempre para não misturar os aromas e conseguir apreciar cada nuance, seja de um vinho, de um queijo ou até de um simples pedaço de fruta. A água funciona como um reset para a boca, preparando-a para a próxima experiência, garantindo que a cada nova garfada, os sentidos estejam recetivos e prontos para a totalidade dos seus aromas e texturas.
2. Experimente Várias Vezes: Não desista de um alimento à primeira. O nosso paladar evolui, e o que não gostamos hoje, podemos adorar amanhã. Tente prepará-lo de diferentes formas – assado, cozido, grelhado, com outros temperos. Lembro-me de odiar couves de Bruxelas quando era miúda, mas agora, assadas com mel e nozes, são um dos meus acompanhamentos preferidos! A persistência e a criatividade na cozinha podem abrir um mundo novo de sabores para si, revelando camadas de gosto que antes estavam escondidas. O segredo está em dar uma segunda chance, ou até uma terceira, com uma mente e um paladar abertos.
3. Pratique o Mindful Eating: Desacelerar durante as refeições, prestando atenção aos aromas, texturas e sabores, transforma a experiência alimentar. Desligue as distrações, concentre-se no seu prato e sinta cada garfada. Isso não só aumenta o prazer de comer, como também ajuda o corpo a reconhecer a saciedade, contribuindo para uma relação mais saudável e equilibrada com a comida. É um pequeno ritual diário que faz uma enorme diferença, permitindo-nos desfrutar verdadeiramente do momento e da nutrição que a comida nos oferece. Ao estarmos presentes, criamos uma conexão mais profunda com o que comemos.
4. Explore a Gastronomia Local: A nossa cozinha portuguesa é um tesouro de sabores autênticos e ingredientes frescos. Visite mercados, converse com produtores e experimente pratos regionais que talvez nunca tenha provado. Cada região tem as suas especialidades, os seus segredos, e descobrir esses sabores é uma forma maravilhosa de enriquecer o seu paladar e a sua cultura gastronómica. Há sempre algo novo e delicioso à espera de ser descoberto, desde o norte ao sul, em cada tasca ou restaurante tradicional. Permita-se ser guiado pela curiosidade e delicie-se com a riqueza da nossa herança culinária, que é única no mundo.
5. Aposte na Variedade: Não se prenda aos mesmos alimentos e preparações. Introduza novos legumes, frutas, especiarias e métodos de cozedura na sua rotina. Quanto mais diverso for o seu leque de experiências gastronómicas, mais “treinado” e sensível se tornará o seu paladar. Desafie-se a provar algo novo todas as semanas; pode ser um tempero exótico, um tipo de pão diferente ou um fruto da época que nunca experimentou. A curiosidade é o melhor tempero! É ao diversificar que ensinamos o nosso paladar a reconhecer e apreciar uma vasta gama de perfis de sabor, tornando cada refeição uma aventura excitante e enriquecedora.
Pontos Chave a Reter
Para que não vos escape nada, aqui fica um resumo do que conversámos e que considero essencial para uma vida gastronómica mais rica e consciente. Primeiro, o Umami: não é um bicho de sete cabeças, mas sim um potenciador natural de sabor, presente em muitos dos nossos alimentos diários, desde queijos a tomates maduros. Prestar atenção a ele pode revolucionar a forma como apreciam a comida. Depois, o Mindful Eating: é mais do que uma moda; é uma filosofia de vida que nos ensina a comer com atenção plena, sentindo cada momento da refeição, promovendo não só o prazer, mas também uma digestão melhor e uma relação mais saudável com o nosso corpo. E, claro, a nossa gastronomia portuguesa, que é um verdadeiro espetáculo de história e sabor, com influências que a tornaram única, um tesouro a ser explorado em cada prato regional. Não se esqueçam que educar o paladar é um processo contínuo de experimentação e curiosidade, onde a persistência é a chave. Portanto, sejam aventureiros na cozinha, não tenham medo de provar e, acima de tudo, celebrem cada garfada como se fosse um pequeno presente, pois é assim que transformamos o ato de comer numa experiência verdadeiramente memorável e nutritiva para a alma. Desliguem o piloto automático e comam com paixão!
Perguntas Frequentes (FAQ) 📖
P: O que significa realmente “educar o paladar” para alguém que está a começar, e porquê é tão importante?
R: Ah, essa é uma pergunta fantástica e que me lembra muito o meu próprio início! Para mim, e depois de anos a desvendar os mistérios da comida, educar o paladar não é de todo sobre tornar-se um crítico gastronómico chato, que só sabe apontar defeitos.
Longe disso! É mais sobre “despertar” os teus sentidos para a riqueza escondida em cada garfada. Imagina que a tua boca é um detetive e cada alimento é um caso intrigante.
É aprender a identificar os diferentes sabores – doce, salgado, ácido, amargo e o tão especial umami – mas também a perceber as texturas, os aromas que sobem do prato, a temperatura e até a crocância.
É tornar-te consciente do que comes, algo que chamamos “Mindful Eating”, e que muda completamente a tua relação com a comida. Eu própria, no início, pensava que era algo complicado, mas rapidamente percebi que é uma jornada muito pessoal e gratificante.
Porquê é importante? Porque, meu caro entusiasta, quando começas a notar estas nuances, a comida deixa de ser apenas “combustível” e torna-se uma experiência de puro prazer.
Começas a fazer melhores escolhas alimentares de forma natural, descobres novos ingredientes e pratos que nunca imaginaste gostar, e até a cozinhar torna-se mais divertido e criativo.
É como desbloquear um novo nível de aproveitamento da vida, sabias? Para mim, significou redescobrir sabores da minha infância e valorizar ainda mais a riqueza da nossa culinária portuguesa, desde um bom cozido à portuguesa a um simples queijo da serra.
P: Comecei a minha jornada, mas sinto-me um pouco perdido. Quais são os primeiros passos práticos que posso dar em casa para começar a treinar o meu paladar?
R: É perfeitamente normal sentirmo-nos um pouco perdidos no início, afinal, é um mundo novo! Mas não te preocupes, tenho umas dicas super práticas que te vão ajudar a começar sem grandes dramas.
O segredo é começar devagar e ser consistente. Primeiro, e isto é crucial, começa por comer sem distrações. Deixa o telemóvel de lado, desliga a televisão e foca-te no prato à tua frente.
Isto, por si só, já é um grande passo! Agora, para a parte prática: Escolhe um alimento simples que gostes e que comas regularmente, como, por exemplo, um bocado de pão, um pedaço de queijo, ou até mesmo um morango.
Antes de o levares à boca, observa-o bem – a cor, a forma, o brilho. Depois, cheira-o. Repara nos diferentes aromas.
Depois, dá uma pequena dentada e, em vez de engolires de imediato, presta atenção. Sente a textura na boca – é crocante, macio, cremoso? Quais são os primeiros sabores que sentes?
Como é que o sabor evolui enquanto mastigas? Lembro-me perfeitamente de quando comecei a fazer isto com um simples tomate cereja: de repente, deixei de ser só “azedo” e passou a ser doce, suculento, com um toque terroso… uma pequena explosão!
Podes até ter um “diário de sabores” super simples, onde anotas as tuas descobertas. Não precisa de ser nada elaborado, só umas palavras para te lembrares do que sentiste.
E uma dica de ouro: tenta provar o mesmo tipo de alimento de diferentes marcas ou origens. Por exemplo, vários tipos de azeite, cafés ou até chocolates.
Vais ver como as diferenças se tornam mais claras e o teu paladar começa a afinar-se. É um processo divertido, garanto-te!
P: Já ouvi falar que o olfato e até o quinto sabor, o umami, são cruciais. Como posso explorar estes aspetos mais “avançados” no meu dia a dia para aprofundar a minha experiência gastronómica?
R: Que bom que já estás a pensar para além dos sabores básicos! O olfato e o umami são, sem dúvida, os super-heróis secretos da nossa experiência gastronómica, e explorá-los vai levar o teu paladar a outro nível.
Para o olfato, experimenta isto: quando estiveres a comer algo, cheira-o bem antes da primeira garfada. Depois, enquanto mastigas, tenta apertar o nariz e depois solta.
Vais ver como os sabores se intensificam ou mudam. Isso acontece porque muito do que percebemos como “sabor” é, na verdade, aroma que chega ao nosso nariz por trás, através da garganta.
Para mim, foi uma revelação quando percebi o poder do cheiro, e agora cheirar a comida antes de provar é quase um ritual! Quanto ao umami, esse sabor maravilhoso que descrevemos como “saboroso”, “cárneo” ou “sabor a caldo concentrado”, é fascinante!
É o que te faz salivar e querer mais. Para o explorares, começa por identificar alimentos que são naturalmente ricos em umami e que fazem parte da nossa dieta:
Tomates bem maduros (especialmente os cozinhados, em molhos!)
Cogumelos (os frescos e, principalmente, os secos ou salteados)
Queijos curados, como o nosso delicioso Queijo da Ilha ou o Parmigiano Reggiano
Molho de soja (experimenta uma pequena gota na ponta da língua)
Caldo de carne ou de legumes caseiro (cheio de sabor!)
Alguns peixes, como o atum ou as anchovas.
Tenta provar estes alimentos individualmente, prestando atenção àquela sensação de “preenchimento” na boca, aquele sabor que persiste e te faz salivar.
Depois, repara como eles transformam um prato quando são adicionados. Por exemplo, um bom guisado português, com carne, tomate e cogumelos, é um festival de umami!
Experimenta adicionar um pouco de pasta de tomate ou cogumelos secos triturados a um molho e verás a profundidade de sabor que ganha. É um jogo de alquimia na cozinha que vale muito a pena descobrir!





